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Marcelo Higa
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Marcelo Higa, argentino okinawense de segunda geração, reside atualmente em Tóquio, Japão, onde está fazendo seu doutoramento em Antropologia Cultural na Universidade de Tóquio. Além de ser pesquisador da Fundação Shibusawa, leciona na Universidade da Ásia, na Universidade Keio e na Universidade de Tóquio. Sua pesquisa está voltada para questões da migração japonesa. Recentemente, tem estudado os processos de construção de identidade dos imigrantes japoneses e seus descendentes na Argentina e na América Latina.

e-mail: marcelo@educ.ferris.ac.jp

Resumo da Proposta de Pesquisa
Os descendentes japoneses na Argentina

De toda América Latina, a população de imigrantes japoneses e seus descendentes na Argentina é a terceira mais numerosa*. No final do década de oitenta, aproximadamente 50.000 pessoas de descendência japonesa viviam na Argentina, 70% das quais de origem na província de Okinawa. Marcelo Higa está pesquisando o que ele denomina serem as diferentes orientações da identidade dos descendentes de japoneses na Argentina. Recentemente, uma reavaliação da “japonesidade” desses descendentes começou a aparecer entre os membros da segunda e da terceira gerações devido às mudanças no cenário nacional e internacional. A maioria dos descendentes de imigrantes japoneses agora aceita como positivo esse elemento nipônico. Uma reavaliação e uma nova análise do que tem sido denominado "Nikkei" é o fenômeno que mais se sobressai na nova orientação de identidade dos descendentes japoneses tanto no Japão como na Argentina. A pesquisa de Marcelo Higa dará enfoque à experiência dos descendentes de imigrantes japoneses na Argentina dentro do contexto de suas relações interpessoais com japoneses no Japão e com os nikkeis em outros países latino-americanos.

* Brasil (1,3 milhão); Peru (53.000); Argentina (50.000).



Sobre as relações de nossa pesquisa com as de outras faculdades.

Nossa pesquisa no primeiro ano do trabalho concentrou-se nos seguintes pontos: (1) fazer uma aproximação geral do desenvolvimento migratório dos japoneses na Argentina e (2) analisar o caso da migração dos argentinos ao Japão nos últimos anos. Os dados foram coletados com a finalidade de, no fim, chegar a uma reflexão sobre as inclinações no que se refere às identificações dos descendentes dos imigrantes japoneses na Argentina, nas particularidades de sua experiência migratória.

Os resultados da pesquisa foram organizados na seguinte ordem:
I. Desenvolvimento da imigração japonesa à Argentina (relatório preliminar, 11-98)
II. Sobre a inserção ocupacional
III. A composição regional dos imigrantes: o caso de Okinawa
IV. A migração dos descendentes de japoneses ao Japão (Relatório final, 3-99)
V. As inclinações quanto à identidade no contexto real (Relatório final, 3-99)

Dado à insuficiência geral de informações sobre o caso dos japoneses na Argentina, é importante fornecer um resumo do desenvolvimento da imigração na Argentina, que serviria como referência para comparação com as experiências migratórias em outros países e regiões (parte I, II e III).

De forma geral, a imigração japonesa à Argentina teria as seguintes características:

- Princípio tardio. Inicialmente, começou como um derivado das migrações ao Peru e ao Brasil.
- Diferentemente desses países, baseou-se, entre todos, em migrantes livres.
- O nativo okinawense constitui a grande maioria.
- A condição sócio-econômica era relativamente boa.
- Não gerou conflitos (sociais) na mesma grandeza que em outros países.
- A primeira geração teve três ocupações principais: lavanderias automáticas, plantas baixas e cultivo de verduras.
- Os imigrantes se estabeleceram basicamente nas áreas urbanas e nos subúrbios.
- A segunda geração, especialmente na era pós-guerra, criou uma forte inclinação em relação à Argentina.

Com referência a alguns temas específicos abordados em outras faculdades, podemos apontar o seguinte:

- Devido a suas particularidades sócio-culturais, a imigração okinawense precisa ser estudada com grande atenção. A análise do caso okinawense desafia um conceito coerente de “japoneses” (e, consequentemente, também de “nikkei”) devido à composição heterogênea presente entre os japoneses. Do ponto de vista das gerações posteriores, os conflitos e as atitudes ambivalentes de seus pais quanto à nacionalidade japonesa teriam favorecido a inclinação para a sociedade argentina.
- A condição sócio-econômica tem sido estudada para melhor compreender as relações estabelecidas na estrutura social argentina. A influência da cultura nacionalista, atingindo um status social relativamente bom, a ausência de conflitos violentos abertos, etc. teriam influenciado de maneira positiva a gestação da inclinação da identidade que incorpora a noção hegemônica pelo menos no discurso.
-Na Seção IV, estudamos o fenômeno geralmente chamado de “Dekassegui”, que significa a recente migração dos descendentes de japoneses ao Japão. Na estrutura geral da experiência da imigração à Argentina, esse tem sido um dos fatos que marcaram as vidas coletivas e individuais dos descendentes de japoneses com grande intensidade. Sua conquista foi econômica assim como social e individual, estando associada, de uma forma ou de outra, profundamente ao novo posicionamento ou inclinação de sua identidade, assumida pelos descendentes de japoneses na realidade. A migração, por outro lado, trouxe a problemática “do nikkei” e sua correlação nas identidades em um novo cenário. O Japão, onde as pessoas de diferentes países sul-americanos têm os mesmos representantes e os mesmos rostos, criou novos espaços.
Finalizando, o propósito da Seção V é oferecer uma conclusão geral, analisando a questão do “nikkei” à luz das experiências históricas e contemporâneas desenvolvidas ao longo desta pesquisa. A discussão aqui concentra-se especificamente no mesmo conceito do que chamamos de “nikkei”, que é entendido como uma das possíveis inclinações de identidade com a qual cada indivíduo conta estórias de suas vidas na sociedade contemporânea.
O caso argentino coloca uma importância especial sobre a década de 1980, quando várias circunstâncias (para as quais a migração dekassegui teve um importante papel) se conjugam para que uma redefinição das relações entre os descendentes de japoneses e o país de seus ancestrais seja possível. Aqui, nossa intenção é estabelecer um diálogo com cada um dos participantes do projeto para que possamos estabelecer o termo nikkei que possa ser comum a todos nós.