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Audrey Kobayashi
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Dra. Audrey Kobayashi é diretora do Instituto de Estudos da Mulher e professora titular da Universidade de Queen's, em Kingston, Ontário, Canadá. Ela leciona em cursos sobre racismo e discriminação sexual, sendo muito conhecida por suas publicações sobre questões relacionadas a esses assuntos e também sobre direitos humanos, imigração e a história dos nipo-canadenses. É diretora nacional da Associação Nacional de Nipo-canadenses, membro da equipe que negociou a reforma nipo-canadense e membro do Comitê Consultivo do Arquivo e do Museu Nacional Nipo-canadenses.

e-mail: kobayashi@post.queensu.ca

Resumo da Proposta de Pesquisa
Análise demográfica da população nipo-canadense enfocando as mulheres imigrantes

A pesquisa da Dra. Audrey Kobayashi tem dois objetivos principais: (1) analisar a população nipo-canadense com base em recentes pesquisas de recenseamento (1991-1996) e estabelecer as tendências contemporâneas de crescimento, distribuição e constituição populacionais; (2) dar enfoque às mulheres que imigraram recentemente do Japão para examinar sua integração à sociedade nipo-canadense. Em 1996, a população contemporânea de 61.000 nipo-canadenses mostrava as seguintes grandes tendências: (a) concentração em grandes cidades (principalmente em Toronto e Vancouver) e o abandono das áreas rurais; (b) aumento da secularização e do profissionalismo; (c) índice acima de 90 por cento de casamentos inter-raciais; e (d) taxa de imigração de aproximadamente 1:60 por ano, mantendo a população shin-ijusha (novo migrante) em cerca de 16 por cento. Cada uma dessas grandes tendências demográficas apresenta implicações significativas para a organização da comunidade, o fornecimento de serviços, o desenvolvimento cultural e social e a identidade nipo-canadense em transformação. Este projeto de pesquisa irá explorar essas tendências com um enfoque específico sobre os imigrantes recentes. O estudo será baseado em trabalhos anteriores a fim de analisar seu papel na formação da comunidade, sua integração ao ambiente de trabalho e as questões sociais/culturais que enfrentam como um grupo de novos canadenses.



A migração como uma negociação de gênero: a recente imigração de mulheres japonesas ao Canadá

A corrente migratória do Japão apresenta um marcado desequilíbrio de gênero, já que aproximadamente 2/3 dos migrantes são mulheres. Esta pesquisa terá como objeto de estudo mulheres solteiras que imigraram recentemente ao Canadá, chamadas de mulheres shin-ijuusha. A maioria delas vive nas grandes cidades de Vancouver, Toronto e Montreal. Apresentam alto grau de instrução e a maior parte está empregada no campo das artes ou atua em serviços humanitários. Originariamente, muitas vieram ao Canadá como estudantes. Porém, após completarem seus estudos e desestimuladas com as poucas perspectivas de encontrar empregos satisfatórios no Japão, onde o patriarcalismo é de um grau excepcionalmente alto, continuaram morando no Canadá como residentes permanentes. Sua idade média ao imigrarem é de aproximadamente 30 anos. A maioria se casa no Canadá.
Este trabalho estuda se sua escolha de se mudar para o Canadá produziu os efeitos desejados. A análise está dividida em duas partes. A primeira apresenta um panorama demográfico das características das mulheres imigrantes japonesas no Canadá, com o propósito de oferecer um quadro mais abrangente de quem são essas mulheres e onde se encontram e quais são suas características principais. A segunda parte, a ser apresentada em um trabalho subsequente, baseia-se em reuniões de grupos de opinião com mulheres imigrantes japonesas em Toronto, Ontário, para analisar com mais detalhes e de forma qualitativa as experiências por trás das estatísticas de migração.
O casamento inter-racial é um modo de vida para a maioria das mulheres Shin-Ijuusha. Algumas acham que o patriarcalismo no casamento não é significativamente menos forte do que no Japão. A taxa de divórcio entre as mulheres imigrantes japonesas é mais alta do que entre as mulheres canadenses nativas de descendência japonesa. Há uma rede bastante grande de mães solteiras, que têm sérias necessidades de serviços sociais.
Educação: O grau de instrução das mulheres Shin-Ijuusha é muito alto. Há alguns padrões distintos de acordo com a faixa etária. As mulheres mais velhas, cuja maioria são imigrantes pré-Guerra Mundial, não tiveram a oportunidade de ir longe quanto à sua escolaridade e vieram ao Canadá por motivos outros que não estudos e oportunidades profissionais. Nas décadas de 1970 e de 1980, mulheres de maior poder aquisitivo vinham ao Canadá para terem uma formação educacional internacional. Nos últimos anos, um número maior de mulheres têm imigrado para encontrar trabalho diretamente, principalmente na indústria de serviços como restaurantes e lojas que atendem turistas japoneses.
Questões Familiares: As mulheres de casamentos inter-raciais enfrentam problemas de identidade cultural por ambos e pelos seus filhos, além de uma série de questões que surgem em um lar intercultural, incluindo racismo da sociedade canadense em geral. Outra grande questão refere-se às relações dos filhos com seus avós e outros parentes no Japão. Muitas vezes, as mães tentam levá-los nas férias de verão. Porém, também no Japão as crianças de casamentos inter-raciais frequentemente sofrem discriminação. A relação entre as mulheres imigrantes japonesas e seus pais é outro problema familiar importante. Aquelas que não têm irmãos para se preocuparem com os pais enfrentam a dura situação de ter de providenciar para que seus pais recebam cuidados e atenção.