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Amelia Morimoto, nipo-peruana de terceira geração, estudou Psicologia, Antropologia e Museologia. É autora de inúmeros livros e artigos que tratam de temas como a imigração japonesa para o Peru, além de questões nipo-peruanas como a comunidade, a educação, a cultura, os museus e a identidade. Está atualmente envolvida em projetos de pesquisas na área de ciências sociais relacionadas a atividades museológicas. Amelia Morimoto é conselheira do Museu Comemorativo da Imigração Japonesa no Peru.

e-mail: musinjap@apip.org.pe

Resumo da Proposta de Pesquisa
Identidade política do nikkei peruano, 1990-1998
Antes de Alberto Fujimori tornar-se presidente do Peru em 1990, o estereótipo comum entre os peruanos era que os interesses dos nipo-peruanos se restringiam à vida de sua própria comunidade étnica, desvinculados das questões nacionais. No entanto, uma pesquisa nacional realizada em 1989 e um questionário respondido por mais de 5.000 cidadãos nikkeis do Peru revelaram fortes opiniões relacionadas aos assuntos do momento e propostas para o futuro desenvolvimento do Peru. Em 1990, durante o período das eleições nacionais, vários nikkeis peruanos se opuseram à candidatura de Fujimori. As razões para tal oposição serão analisadas com base em entrevistas realizadas durante esse período. Além disso, novas entrevistas serão feitas para avaliar as opiniões e as atitudes atuais. A pesquisa de Morimoto examinará as mudanças de atitude política e as opiniões dos nikkeis peruanos nesta última década.



Até Fujimori, acreditava-se que as comunidades Nikkei tinham pouco interesse nas questões políticas nacionais peruanas e que eram voltadas para si mesmas.
Mas o censo de 1989 revelou que os Nikkei têm opiniões. São progressistas e liberais à diferença da ideologia que dominava o Peru naquela época. O país estava polarizado entre socialistas e radicais e tinha muitos problemas tais como hiper inflação, terrorismo e corrupção. Houve um êxodo maciço do Peru e os Nikkei não foram exceção. Eles foram ao Japão.
Com esta situação geral, a pesquisa Nikkei revelou que havia pessimismo mas, ao mesmo tempo, havia também esperança de mudança.
O Japão era o país mais admirado pela comunidade Nikkei do Peru em 1989. A pesquisa que abrangeu todas as gerações mostrou que 40% dos entrevistados escolheu o Japão como “país ideal”. Tal admiração baseava-se primeiro nas qualidades morais e culturais. A imagem do Japão que persistiu através das gerações era a da sua luta para recuperar-se da destruição da II Guerra Mundial. Logo a seguir vinham seu progresso e sucesso econômico que também causavam admiração. A tecnologia avançada e as belezas naturais também contribuíam para a imagem positiva do Japão junto à comunidade Nikkei peruana. Some-se a isto a ordem administrativa, a estabilidade política e a possibilidade do Japão poder ser um fornecedor do Peru.
Por outro lado, havia também imagens negativas. Fazem referência especialmente às conseqüências da industrialização e do desenvolvimento, que se refletem no rápido ritmo de vida no Japão. Houve também críticas constantes da mudança cultural ocorrida no Japão após a Grande Guerra, sua “americanização” e até certo ponto a discriminação contra os estrangeiros, os Nikkei e as mulheres.
Em geral porém, selecionado ou não como país ideal, o Japão tinha excelente imagem entre os Nikkei do Peru. Mais de 90% dos entrevistados expressaram opinião favorável ao Japão.
Os Estados Unidos eram o segundo país mais admirado entre os Nikkei no Peru. Entre os Sansei e Yonsei estava em segundo lugar ao passo que entre os Issei e Nissei os EUA eram o terceiro colocado, vindo depois do Japão e do Peru.
A situação de hegemonia norte-americana no continente americano e o seu poderio mundial seriam a principal razão desta atração.
O peru, apesar de sua imagem negativa, era o terceiro país considerado ideal. Para a geração mais velha (Issei e Nissei) era o segundo país admirado depois do Japão. Já entre as gerações mais jovens (Sansei e Yonsei) ocupava o terceiro lugar.
A imagem negativa fundamentava-se basicamente na crise geral social e de governo. Opiniões positivas e esperanças de mudanças para o futuro faziam paralelo com as opiniões negativas. As propostas de mudança incluíam primeiramente aspectos político-administrativos, morais e educacionais. Em outras palavras, a população Nikkei considera essenciais estas questões, lado a lado com a questão do governo existente, da estrutura do Estado e da mentalidade dos políticos e da população em geral. Essa mudança de mentalidade correlacionava-se também com o aspecto econômico. Além das medidas concretas, alguns aspectos abstratos foram mencionados tais como consciência, responsabilidade, honestidade e seriedade para alcançar maior produtividade e desenvolvimento.
A auto-imagem do Nikkei foi das mais positivas em todas as gerações de entrevistados. Eles citam qualidades morais e intelectuais e seu sucesso a nível nacional. Eles percebem-se também como um grupo distinto e especial na sociedade. Porém observam seus defeitos. A maioria das auto-críticas dizem respeito à desunião, etc. Um aspecto que chamou a atenção foi a expectativa da participação Nikkei na liderança política a nível nacional e a não existência de um candidato capaz no país.
Finalmente, os Nikkei peruanos demonstraram uma solida identificação com o Peru, seus problemas e possibilidades. O futuro do Peru é parte de suas preocupações. Em resumo, se houver possibilidade de fazerem uma contribuição ao país esta será no âmbito da moralidade, opiniões e propostas para o futuro, conforme deixaram claro ao expressar suas idéias neste censo.