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Yasuko Takezawa
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Yasuko I. Takezawa é professora adjunta da Faculdade de Estudos Internacionais/Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Tsukuba, Japão. Possui doutorado em antropologia pela Universidade de Washington. Sua dissertação foi publicada pela Cornell University Press sob o título "Breaking the Silence: Redress and Japanese American Ethnicity" [Quebrando o silêncio: remédio e etnia nipo-americana] (1995). Suas várias publicações em japonês e em inglês tratam da questão racial/étnica e dos nipo-americanos. Em 1995, recebeu o prêmio Shibuzawa da Sociedade Japonesa de Etnologia por sua obra "Nikkei Amerikajin no Ethnicity" [A transformação da etnia nipo-americana: os efeitos do encarceramento e do remédio], (University of Tokyo Press: 1994).

e-mail: ytakezaw@aol.com

Resumo da Proposta de Pesquisa
A comunidade nikkei latino-americana em Kobe

A presença de imigrantes estrangeiros e de minorias étnicas tornou-se visível em Kobe, Japão, depois do prejuízo sem precedentes causado pelo Grande Terremoto Hanshin Awaji de 1995. Foi somente depois dessa tragédia que muitos japoneses, inclusive cidadãos de Kobe, ouviram falar de uma comunidade de nikkeis latino-americanos em Higashinada, uma das localidades mais afetadas pelos tremores. O estudo da Dra. Takezawa analisará as relações inter-étnicas dessa comunidade pouco conhecida. Em 1995, havia 500 brasileiros e 170 peruanos registrados como residentes na cidade de Kobe. Igrejas católicas serviam de ponto de convergência entre a rede de vários centros de serviço administrados por governos locais e ONGs que forneciam serviços de consultoria, assistência jurídica e outros serviços de informações a estrangeiros. Alguns dos problemas mais comuns enfrentados pelos imigrantes e que os levavam a procurar assistência e consultoria compreendiam a situação do visto, moradia, casamento e divórcio e condições de trabalho. As escolas públicas também iniciaram programas multiculturais destinados aos alunos latino-americanos. Apesar de todos esses esforços, suas relações com os japoneses e outros grupos étnicos parecem ser limitados. O estudo da Dra. Takezawa analisará as formas de interação dos nikkeis latino-americanos de Kobe com a sociedade japonesa dominante e os territórios em que atuam, esclarecendo assim os processos de ida-e-volta da transformação envolvendo os nikkeis no Japão.



Os Nikkei e seu relacionamento com os japoneses – um estudo de caso

Quatro anos se passaram desde o grande terremoto em Kobe e há um reconhecimento geral em Kobe que o desastre representou um marco significativo no que se refere à relação entre a maioria dominante japonesa e os imigrantes ou minorias étnicas. Uma das mudanças drásticas envolve a consciência emergente de tabunka kyosei, ou da coexistência multicultural, um termo que descreve o novo conceito de coexistência social entre japoneses e estrangeiros como parceiros iguais e não como hóspede e anfitrião.
A onda da globalização que varreu outras partes do Japão certamente chegou a Kobe. Uma porção significativa dos recém chegados hoje é formada por trabalhadores Nikkei do Brasil, Peru e outras partes da América Latina que suprem mão de obra não qualificada á pequena e média industria. Nesta era da globalização Kobe certamente está mudando muito. É esse repentino aumento da população de recém chegados que têm pouca compreensão da língua e da cultura japonesas que causou um grande impacto na sociedade japonesa como um todo e sobre os governos locais em todo o Japão.
A nível da comunidade local em Kobe, os japoneses, residentes permanentes e outros estrangeiros, através de sua interação e esforço para reconstruir a comunidade depois do terremoto têm gerado uma cultura mestiça e híbrida. No caso de Kobe, embora haja concentrações de populações étnicas em certas áreas, as habitações são integradas com as casas japonesas sem formar enclaves étnicos. De acordo com Komai, como os recém-chegados fornecem a mão de obra para negócios pequenos e médios o chamado “mercado paralelo de trabalho” não existe.
É claro que Kobe ainda está longe de tornar-se o tipo de sociedade onde grupos étnicos diferentes coexistem como parceiros iguais no sentido real do termo, já que existe discriminação explicita ou camuflada nas áreas de habitação, trabalho e em outros aspectos da estrutura social. Porém o que vimos em Kobe é que as comunidades locais são a principal arena de interação, atrito, negociação e co-planejamento para os residentes locais, japoneses e estrangeiros. Assim, após sua sintetização e transformação as comunidades locais começaram a produzir essa cultura mestiça e híbrida.
Como vimos, a integração dos Nikkei na sociedade japonesa no verdadeiro sentido da palavra ainda é limitada ao nível superficial. A lição do terremoto, porém, nos ensina que tal integração depende do quanto de aproximação mútua e co-participaçao existir entre os Nikkei e os japoneses na comunidade local. Parece ser essencial que os Nikkei desenvolvam um sentido de identidade como residentes locais, quando não como residentes japoneses.